VIII Fórum das Espondilartrites

04-02-2017

VIII Fórum das Espondilartrites

Atualização do conhecimento na área das espondilartrites

 

O VIII Fórum das Espondilartrites constituiu um momento único de atualização do conhecimento na área das espondilartrites, um grupo de doenças reumáticas que afeta 1,6% da população nacional, ou seja, cerca de 160.000 portugueses.

O VIII Fórum das Espondilartrites foi destinado a médicos reumatologistas que procuraram debater temas relacionados com o diagnóstico e tratamento das espondilartrites, nomeadamente em áreas de controvérsia, de forma a obter conhecimento que permita melhorar os cuidados prestados aos doentes. Estiveram presentes cerca de 80 participantes criando um ambiente de partilha de informação muito interativo.

Foram selecionados temas de utilidade para a prática clínica e cuja discussão pudesse ter impacto na forma de agir dos reumatologistas. O primeiro dia foi dedicado a aspetos da fisiopatologia das espondilartrites, incluindo o papel do stress biomecânico no desenvolvimento da doença e, não obstante, como o exercício físico e a tonificação muscular podem ser pilares importantes do tratamento. Em paralelo, refletiu-se sob os principais mediadores celulares e citocinas inflamatórias (TNF, IL12/23 e IL17) envolvidos na sua patogénese, à luz da evidência atual. No que respeita ao diagnóstico, os sintomas dos doentes com espondilartrites podem, por vezes, ser confundidos com os da fibromialgia. Reconhecer as características diferenciadoras das duas entidades é essencial para um correto diagnóstico. Adicionalmente, o papel da ecografia e da ressonância magnética está bem estabelecido na identificação de alterações imagiológicas precoces, mas o rigor na sua interpretação exige particular atenção. A relevância do estudo por ressonância foi discutida pelo Dr. Alberto Vieira, imagiologista do Centro Hospital São João.

O envolvimento frequente de órgãos extra-articulares, nomeadamente intestino e olho, constitui uma motivação para o convite a especialistas de disciplinas intrinsecamente ligadas à área das espondilartirtes, como é o caso da Oftalmologia e Gastrenterologia. Os convidados - Dr.ª Inês Leal, oftalmologista, e o Dr. Luís Correia, gastrenterologista do Centro Hospitalar Lisboa Norte, apresentaram uma atualização da evidência mais recente sobre o tratamento das uveítes e das doenças inflamatórias do intestino. Acompanhar a progressão do conhecimento nestas áreas, em particular das terapêuticas farmacológicas é de fundamental importância para um tratamento partilhado e eficaz dos nossos doentes, permitindo oferecer aos doentes as melhores opções de tratamento disponíveis.

Podemos destacar também a sensibilização para o diagnóstico e tratamento da osteoporose em doentes com espondilartrites. Uma fratura vertebral num doente com espondilite anquilosante pode ter um impacto devastador. Saber quando e como tratar a osteoporose nos doentes com espondilartrites é determinante para prevenir estes eventos.

Procurámos criar ainda um momento de divulgação e debate de trabalhos desenvolvidos por reumatologistas portugueses com base no Registo Nacional de Doenças Reumáticas (Reuma.pt), que permitiu conhecer melhor as características dos doentes portugueses com espondilartrites.

Na sua globalidade, os temas abordados durante o VIII Fórum das Espondilartrites foram de grande relevância e permitiram a formação de internos e especialistas de Reumatologia, tendo por base reflexões com aplicabilidade na prática clínica. 

 

Dr.ª Elsa Vieira de Sousa

 

Reumatologista do Hospital de Santa Maria, CHLN, CAML

Investigadora do Instituto de Medicina Molecular, CAML

 
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