EpiReumaPt

09-10-2014

EpiReumaPt

Foram apresentados no dia 22 de Setembro de 2014, numa sessão pública que teve lugar na Fundação Calouste Gulbenkian, os resultados do primeiro estudo epidemiológico nacional, de larga escala, sobre as doenças reumáticas, alguma vez feito em Portugal

 

Mais de 10.000 portugueses foram envolvidos no projecto

 

As doenças reumáticas (DR) representam um importante problema médico, social e económico nos países desenvolvidos. Segundo o Programa Nacional Contra as Doenças Reumáticas (PNCDR), publicado em 2004 pela DGS, as DR são o primeiro motivo de consulta nos cuidados de saúde primários e são também a principal causa de incapacidade temporária para o trabalho e de reformas antecipadas por doença/invalidez. Têm por isso um relevante impacto negativo em termos de saúde pública, com tendência crescente, tendo em conta os actuais estilos de vida e o aumento de longevidade da população. No entanto, até hoje desconhecia-se a prevalência e o impacto das DR concretamente na sociedade portuguesa.

Neste contexto, o Estudo Epidemiológico de Doenças Reumáticas em Portugal (EpiReumaPt) foi desenhado e realizado para responder a alguns objectivos do PNCDR e impôs-se como o maior estudo sobre as DR, alguma vez realizado no nosso país.

 

O objectivo nuclear do EpiReumaPt incidiu na caracterização das DR na população portuguesa, num projecto que teve tanto de ambicioso, como de indispensável para a comunidade médica e científica. À partida, seria um mero estudo de prevalência, mas resultaria em muito mais do que isso, permitindo determinar a frequência destas doenças crónicas no território nacional, verificar a sua distribuição pelo país e identificar o seu peso socioeconómico e impacto na qualidade de vida dos portugueses.

 

O EpiReumaPt constituiu-se assim como um projecto ímpar, avaliado em mais de 1 milhão de euros, resultando numa simbiose perfeita entre financiamentos públicos e privados, sem desvios de orçamentação ou prazos de execução.

Além do Alto Patrocínio da Presidência da República foram várias as entidades públicas e privadas que aceitaram juntar-se a este desígnio maior da Medicina e da Saúde em Portugal:

- Sociedade Portuguesa de Reumatologia (principal promotor)

- Direcção Geral da Saúde (principal financiador)

- Nova Medical School (Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa)

- Centro de Estudos e Sondagens de Opinião (CESOP) da Universidade Católica Portuguesa

- Outros patrocinadores/apoios: saiba mais aqui http://www.reumacensus.org/entidades/entidades.html

 

EpiReumaPt no terreno:

Ao longo de 27 meses (desde 19 de Setembro de 2011 a 20 de Dezembro de 2013), 190 entrevistadores não-médicos contactaram mais de 25 mil lares, em 366 localidades espalhadas pelo território nacional, incluindo as Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores. Mediante regras bem definidas sobre a selecção dos participantes foi possível constituir-se uma amostra representativa da população portuguesa, com 10.661 indivíduos.

Dos indivíduos recrutados, os que reportaram queixas reumáticas, e uma percentagem de indivíduos sem sintomatologia reumática, foram convidados para uma consulta com um Médico Reumatologista, que se realizou num prazo de 15 dias a 1 mês, subsequente à entrevista inicial. Estas consultas foram planeadas semanalmente, em 254 Centros de Saúde nas áreas de residência dos participantes. Entre outras avaliações, foram estudadas as 12 doenças reumáticas que o PNCDR referenciava: lombalgia, fibromialgia, patologia periarticular, osteoartrose das mãos, osteoartrose dos joelhos, osteoartrose da anca, gota, artrite reumatóide, espondilartrites, lúpus eritematoso sistémico, polimialgia reumática e osteoporose.

Envolveram-se nesta causa 95 médicos Reumatologistas, 7 enfermeiras, 8 investigadores, 3 técnicos de radiologia e 5 motoristas da unidade móvel. Esta vasta e qualificada equipa distribuiu-se por mais de 100 mil kms percorridos e foi responsável pela realização de 3.886 consultas, a maioria das quais apoiadas pela Unidade Móvel, construída e apetrechada especificamente para o efeito, tornando possível aquilo que tantas vezes se afigurava de difícil resolução logística e operacional.

A componente médica da consulta foi assegurada exclusivamente por médicos Reumatologistas, uma situação inédita para algumas regiões do país, em que o acesso à Reumatologia é praticamente inexistente.

 

Graças ao EpiReumaPt e à recolha de dados nele feita, existe hoje a maior base de dados Clínica que correlaciona dados sociodemográficos, socioeconómicos, clínicos, gastos em saúde, qualidade de vida e estado de saúde da população portuguesa. Além destes, foi ainda possível criar a maior base de dados imagiológica de DR (com RX, TACs, DEXAs e ecografias) e também de amostras de sangue, que hoje enriquecem o Biobanco do IMM (http://www.biobanco.pt/ ).  

Actualmente o EpiReumapt constitui-se como um extraordinário e eclético acervo de dados, que ficará para sempre à disposição de investigadores, universidades, empresas, sociedades científicas, órgãos de informação e autoridades.

 

Principais Resultados EpiReumaPt   

 

. Prevalências das doenças reumáticas no território nacional:

consulte aqui http://www.reumacensus.org/pdf/quadriptico_resultados_epireumapt.pdf)

. Cerca de metade da população portuguesa sofre de, pelo menos uma, doença reumática

. As doenças reumáticas estão subdiagnosticadas, principalmente nas regiões que têm uma deficitária rede de referenciação da especialidade (Beira Baixa, Alto Alentejo e regiões limítrofes dos grandes centros urbanos).

. Em todo o território nacional as mulheres são mais afectadas pelas doenças reumáticas do que os homens

. As doenças reumáticas são as doenças crónicas que mais limitam o estado de saúde dos portugueses. 

 

. Os doentes com artrite reumatóide são os que têm maior incapacidade funcional e pior qualidade de vida.

 

. Estima-se que os custos com as perdas de produtividade por faltas ao trabalho em doentes reumáticos rondem os 204 milhões de euros. 

 

Veja o vídeo que resume o estudo e saiba mais em www.reumacensus.org

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