Bruxelas, 20 de Outubro de 2010
Em 19 e 20 de Outubro de 2010, peritos académicos, sociedades científicas, associações de doentes, Governos dos Estados-membros e instituições da segurança social, bem como organismos da EU, acordaram um conjunto de recomendações políticas fundamentais para melhorar a gestão e prevenção das doenças reumáticas e músculo-esqueléticas. Este conjunto de recomendações e iniciativas específicas para a sua implementação foram os principais resultados da Conferência da Presidência da UE sobre as doenças reumáticas e músculoesqueléticas, organizadas em colaboração com a EULAR, a Liga Europeia Contra o Reumatismo.
As recomendações abrangeram seis áreas de intervenção: doenças reumáticas e músculoesqueléticas como uma prioridade nas agendas das políticas de saúde; direitos dos doentes a assistência médica de qualidade e sua inclusão plena na vida económica e social; prevenção e encaminhamento precoce; tratamento baseado em evidências e padrões de atendimento; envolvimento do doente no planeamento, implementação e avaliação dos serviços de saúde e o aumento de financiamento para a investigação. As recomendações emergentes da Conferência culminaram com o apelo a uma Estratégia da Doença Músculo-esquelética da UE e planos de acção nacionais.
Os participantes chegaram a consenso no que respeita ao reconhecimento da importância socioeconómica das doenças reumáticas e músculo-esqueléticas e a necessidade de dar prioridade a essas mesmas doenças nas agendas das políticas de saúde. Tal como o Prof. Paul Emery, Presidente da EULAR, afirmou, “as doenças reumáticas e músculo-esqueléticas deveriam ser reconhecidas como um dos mais importantes desafios de saúde pública, devido à enorme sobrecarga que estas doenças acarretam para a vida das pessoas, para os sistemas sociais e de saúde e, consequentemente, para toda a economia”.
Olivier Belle, Membro do Gabinete de Laurette Onkelinx, Vice-Primeiro-Ministro belga e Ministra dos Assuntos Sociais e da Saúde, disse: “As pessoas afectadas por doenças músculo-esqueléticas e as suas famílias enfrentam diariamente micro-desafios, devido às suas condições. Quando temos 120 milhões de micro-desafios, isso transforma-se num desafio político. A Presidência belga da EU reconhece a importância destas condições na Europa e está empenhada em resolver a questão politicamente”.
A conferência sublinhou a importância da participação activa dos doentes. O seu acesso aos serviços de saúde e a sua inclusão plena na sociedade foram reconhecidos como direitos dos cidadãos com estas perturbações/doenças. Contudo, tal como muitos palestrantes realçaram, ainda é necessário um grande esforço para garantir igual acesso a tratamento bem como a integração destas pessoas no mercado de trabalho. Os empregadores foram chamados a facilitar a adaptação aos ambientes de trabalho e condições laborais. Tal flexibilidade nos locais de trabalho permitiria a estes doentes continuar a trabalhar ou a regressar ao trabalho em vez de serem excluídos.
Os delegados também reflectiram sobre a necessidade de promover acções concretas para a prevenção. O impacto das doenças músculo-esqueléticas poderia ser minimizado em muitos casos se as pessoas por elas afectadas beneficiassem de encaminhamento e diagnóstico precoce. Os médicos de clínica geral experientes e os especialistas, bem como um número suficiente de centros especializados, foram referidos como sendo elementos fundamentais para se atingir este objectivo.
De acordo com os participantes, as instituições da EU e os Estados-Membros deveriam garantir que a gestão das doenças crónicas, e em particular das doenças reumáticas e músculoesqueléticas, fosse organizada de acordo com as recomendações baseadas em evidências. Para além disso, os padrões de tratamento deveriam ser mais desenvolvidos e implementados por toda a Europa.
Foi dada especial atenção ao papel dos doentes na prevenção e na gestão das doenças músculoesqueléticas. Foi realçado que os doentes devem ser mais envolvidos no planeamento, na implementação e na avaliação dos serviços de saúde, e que novas formas de relacionamento médico/doente deveriam ser desenvolvidas. Neil Betteridge, Vice-Presidente da EULAR para a PARE (Pessoas com Artrite/Reumatismo na Europa) - Comissão Permanente de Pessoas com Doenças Reumáticas na Europa -, disse: “O envolvimento dos doentes representa benefícios de duas maneiras diferentes: em primeiro lugar, promove a auto-gestão e a auto-suficiência que são essenciais para lidarmos com as nossas próprias doenças; em segundo lugar, como somos peritos em viver nestas condições, podemos dar um contributo significativo na concepção e avaliação de iniciativas de prevenção e tratamento”.
Os delegados também reconheceram a necessidade de um compromisso mais forte por parte tanto dos Estados-Membros como das instituições da EU para apoiar e financiar a investigação básica e aplicada nesta área. Foi salientado o facto de ser importante melhorar não só o conhecimento sobre os determinantes destas doenças, mas também o conhecimento e as tecnologias no campo da prevenção e do tratamento.
O Prof. Emery, Presidente da EULAR, apresentou as recomendações da conferência na Conferência Ministerial “Abordagens Inovadoras para as Doenças Crónicas na Saúde Pública e nos Sistemas de Saúde”, organizada pela Presidência Belga da EU em 20 de Outubro. Resumindo os dois dias da conferência, o Prof. Emery declarou: “A nossa comunidade está muito satisfeita com os resultados destas duas conferências. Verificamos que a Europa está finalmente a reconhecer a dimensão e o impacto das doenças músculo-esqueléticas. Todos os intervenientes deverão agora trabalhar em conjunto para implementar, na prática diária, as excelentes ideias que foram aqui trocadas”.
O texto completo das Recomendações da Conferência pode ser obtido através do Gabinete da EULAR em Bruxelas (ver endereço infra).
Sobre as doenças músculo-esqueléticas:
As doenças crónicas reumáticas e músculo-esqueléticas afectam quase um quarto de todos os europeus (mais de 100 milhões). Estas pessoas têm uma qualidade de vida comprometida, diversos graus de incapacidade e muitas vezes morte prematura. As doenças reumáticas provocam os mais altos custos dos sistemas sociais e de cuidados de saúde. Só na Europa, devido aos custos de assistência médica, incapacidade para o trabalho, baixa por doença e reforma antecipada, as doenças reumáticas provocam um encargo económico superior a 240 biliões de euros por ano aos orçamentos de estado. Prevê-se que o impacto destas doenças aumente consideravelmente devido às alterações demográficas e mudanças no estilo de vida.
Sobre a EULAR:
A Liga Europeia contra o Reumatismo (EULAR) é a organização europeia que serve de protecção na área das doenças reumáticas e músculo-esqueléticas. A EULAR representa as sociedades científicas, as associações de profissionais de saúde e as organizações de pessoas com artrite/reumatismo (doenças reumáticas) em toda a Europa. Os objectivos da EULAR são reduzir o impacto das doenças reumáticas no indivíduo e na sociedade e melhorar o tratamento, a prevenção e a reabilitação das doenças músculo-esqueléticas.
Mais informações em www.eular.org.
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