Gota

Que queixas/sintomas?

Após um período prolongado de hiperuricemia assintomática, começam a surgir manifestações articulares cuja localização e evolução são variáveis

A gota evolui inicialmente com uma fase aguda e intermitente, ou seja, com crises de inflamação articular (artrite) intercaladas com períodos assintomáticos. A idade para a primeira crise oscila habitualmente entre os 40 e os 60 anos nos homens e após os 60 anos nas mulheres. Os períodos de crise podem ser despoletados por fatores externos, como traumatismo local, fármacos e ingestão de alimentos ricos em purinas (como marisco, carnes e vísceras) e bebidas alcoólicas (particularmente cerveja e bebidas brancas), e caracterizam-se pelo início rápido (6 a 12 horas) de sinais inflamatórios exuberantes (dor, aumento da temperatura local, rubor e tumefação) na articulação envolvida. Habitualmente nas fases iniciais da doença apenas uma articulação é afetada, sendo a localização mais típica nos membros inferiores, particularmente no 1º dedo do pé (podagra), tornozelos e joelhos. As articulações dos membros superiores (mãos, punhos e cotovelos) podem ser atingidas mais rara e tardiamente. Durante a crise, os doentes podem igualmente referir sintomas inflamatórios gerais (sistémicos) como febre. As crises podem ser auto-limitadas (regressão em 1 a 2 semanas), mas o início de terapêutica adequada visa encurtar a sua duração.

Com a progressão para a cronicidade, as crises tendem a atingir mais articulações e a ser mais frequentes e prolongadas, com períodos assintomáticos mais curtos (até deixarem de existir períodos livres de sintomas). Estabelece-se assim uma fase de artrite gotosa crónica, em que as articulações envolvidas estão permanentemente dolorosas e inflamadas. Refere-se igualmente o estabelecimento de deformação articular resultante da destruição da estrutura da articulação pela persistência do processo inflamatório, que contribui para dor e incapacidade constantes.

Quando os níveis de ácido úrico se mantêm cronicamente elevados, os cristais de monourato de sódio (forma de acumulação de ácido úrico) podem acumular-se também na pele e tecidos moles peri-articulares, formando os chamados “tofos gotosos”. Estes localizam-se tipicamente nas extremidades (mãos, pés e pavilhões auriculares), onde as condições locais e as temperaturas mais baixas favorecem a cristalização de ácido úrico, e contribuem para a incapacidade atribuída à doença.

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