Gota

Como se trata?

O tratamento da gota pode ser dividido em duas fases distintas:

- Terapêutica da crise de artrite aguda - apesar das crises de gota desaparecerem espontaneamente ao fim de cerca de 1 a 2 semanas, a terapêutica da crise deve ser instituída para aliviar de forma rápida os seus sinais e sintomas. Seja qual for a localização da artrite, são habitualmente utilizados anti-inflamatórios não esteróides e doses baixas de colquicina, isolados ou em combinação. No caso de intolerância ou contraindicação a algum destes fármacos, doses baixas de corticosteróides (como a prednisolona) podem ser também utilizados. Se o profissional de saúde tiver experiência, pode ainda propor uma infiltração com corticosteróide na articulação inflamada com vista a aliviar rapidamente os sintomas.

- Terapêutica para baixar o ácido úrico - sendo a gota causada pela hiperuricemia crónica, a redução dos seus valores através de fármacos hipouricemiantes é fundamental para prevenir futuras crises de artrite e modificar a evolução natural da doença para destruição articular e incapacidade. Em Portugal, existe apenas disponível o alopurinol, aguardando-se a aprovação e comercialização de um novo medicamento, o febuxostato. O tratamento com alopurinol deve ser apenas iniciado após o desaparecimento da crise de artrite aguda, mas se o doente já se encontrava a tomar alopurinol previamente este não deve ser interrompido durante a crise. Quando se inicia alopurinol pela primeira vez deve ser administrado concomitantemente um anti-inflamatório não esteróide, colquicina em dose baixa ou corticosteróide em dose baixa durante 6 meses, já que durante o início da terapêutica hipouricemiante há maior risco de novas crises. O tratamento é frequentemente para toda a vida e o valor de ácido úrico a atingir no sangue é de menos de 6 mg/dL e, nos doentes com tofos gotosos, o valor é de menos de 5 mg/dL.

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