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Gota úrica

 

A gota úrica tem 3 fases clínicas:

A artrite gotosa aguda:  habitualmente surge com inflamação de apenas uma articulação. O doente refere dor articular muito intensa com sinais inflamatórios exuberantes (calor, rubor e tumefacção), com início frequentemente durante a noite, acordando-o, enquanto de dia impossibilita a deambulação. As articulações dos membros inferiores são as mais frequentemente atingidas, nomeadamente a do primeiro dedo do pé ( 1ª metatarsofalângica), numa crise classicamente conhecida por podagra. Seguem-se, em menor frequência, as articulações tíbio-társicas, os joelhos, os punhos, os dedos e os cotovelos. Os ombros raramente são envolvidos. Quando o pé não é atingido no primeiro episódio é muito provável que seja nos subsequentes. Ainda não foi encontrada explicação científica para a maior susceptibilidade do pé como alvo das crises agudas. As bolsas serosas adjacentes às articulações inflamadas também podem ser sede de inflamação aguda, como a olecrâneana no cotovelo ou a pré-rotuliana no joelho. A crise de gota resolve-se espontaneamente após 5 a 7 dias do seu início.

O período intercrítico: o doente fica sem sintomas, após uma crise aguda, até novo episódio.

Agota tofácea crónica: surge em doentes com níveis elevados de ácido úrico não tratado durante anos. Caracteriza-se pela presença de tofos gotosos, isto é, a acumulação de depósitos de monourato de sódio intraarticulares (com a mesma localização das crises agudas), que a longo prazo contribuem para a formação de lesões ósseas (erosões). Os tofos são classicamente encontrados nos pavilhões auriculares, nas bolsas serosas, no antebraço, no tendão de Aquiles, nos dedos das mãos ou dos pés. Por vezes pode haver ulceração destes tofos, com a saída dos cristais de MUS sob a forma de um conteúdo líquido leitoso.

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